“O Inferno Astral de Lula: O passado se reproduzindo no presente” – Por João Arruda

João Arruda é professor aposentado da UFC e sociólogo. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o titulo “O Inferno Astral de Lula: O passado se reproduzindo no presente”, eis mais um artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “Caberá ao eleitor decidir se teremos a coragem de varrer para sempre essa corja abjeta do cenário nacional ou se, por covardia ou conivência, continuaremos a alimentar o atraso, a corrupção e a degradação moral que sufocam o futuro do Brasil”, expõe o articulista.

Confira:

Nos últimos meses, Lula voltou a mergulhar em um profundo inferno astral. Uma avalanche de escândalos, denúncias e investigações trouxe à tona episódios que não apenas comprometem seu projeto de reeleição, mas também reacendem na memória coletiva os casos de corrupção que marcaram suas duas primeiras gestões e que inevitavelmente estarão presentes nas lembranças dos eleitores no dia 4 de outubro. Por suas criminosas estripulias, Lula foi condenado, por unanimidade, em três instâncias, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, uma marca indelével que o consagra como o presidente mais corrupto da história do Brasil. E o revelador nessa história é o fato do seu DNA de corrupção ter sido transmitido com eficiência aos seus familiares.

No primeiro governo de Lula, a Telemar (atual Oi) surpreendeu os brasileiros ao investir R$ 103 milhões na desconhecida Gamecorp, empresa da qual Lulinha era sócio majoritário. A revelação desse vultoso aporte causou enorme repercussão, sobretudo porque a experiência profissional mais notória do filho do presidente até então havia sido como tratador de animais em um zoológico paulista. Questionado pela imprensa sobre as razões que levaram a Telemar a aplicar tamanha soma em uma companhia sem tradição no setor de telecomunicações, Lula tergiversou e reagiu com ironia, afirmando que Lulinha era o “Ronaldinho dos negócios”, uma frase que soou como deboche diante das acusações que cercavam seu filho.

Na atual gestão, Lulinha está sendo investigado pela PF por suspeita de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em declaração à PF, Edson Claro, ex-assessor do “Careca do INSS” afirmou que Lulinha recebia do esquema R$ 300 mil mensais e teria recebido uma bolada de R$ 25 milhões. A genética da família Lula, pelo que vemos, é incrível! Frei Chico, irmão mais velho do Lula, usando a sombra do poder do irmão-presidente, também tem se mostrado um gênio dos negócios. Na primeira gestão do Lula, recebia uma mesada da Construtora Odebrecht – a empresa mais envolvida na roubalheira da Lava Jato. Segundo Alexandrino Alencar, então diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, o Frei Chico, a pedido de Lula, recebia uma espécie de “mesada” sem prestação de serviços correspondente. Os valores teriam começado em R$ 3 mil mensais e depois subido para R$ 5 mil, pagos em espécie. Na atual gestão, ele também aparece envolvido em esquemas fraudulentos.

Segundo apurou a CPMI do INSS, o Sindnapi, onde Frei Chico é vice-presidente, recebeu aproximadamente R$ 599,5 milhões em mensalidades associativas descontadas ilegalmente dos benefícios de aposentados e pensionistas. E os escândalos do governo, desta vez, não se limitam aos seus familiares e velhos conhecidos “cumpanheiros” petistas: atingem assessores diretos, aliados estratégicos, ministros do STF, Líderes do Centrão, figuras próximas ao poder e, sobretudo, seu primogênito Lulinha, sua “amiguinha” Roberta Luchsinger, e o Careca do INSS, todos implicados no caso do Banco Master ou no assalto bilionário às contas dos indefesos aposentados e pensionistas do INSS. O cenário de corrupção é devastador e evoca uma sensação de déjà vu impossível de ignorar: o passado de corrupção, cooptação e fisiologismo não apenas retorna, mas se impõe com força renovada, revelando que a história de corrupção petista insiste em se repetir como farsa e tragédia ao mesmo tempo.

Segundo reportagem investigativa do portal Poder360, as raízes da expansão das operações de consignado do Banco Master estão na privatização do Credcesta, antigo cartão de compras estatal baiano transformado em plataforma financeira. As matérias apontam que articulações iniciadas na gestão de Jaques Wagner e decretos editados pelo então governador Rui Costa garantiram margens exclusivas de consignado e restrições à portabilidade de crédito, favorecendo a operação privada de Augusto Lima, que posteriormente se associou a Daniel Vorcaro. O arranjo garantiu um mercado cativo com juros elevados sobre os servidores da Bahia, servindo de balão de ensaio para o esquema ganhar escala nacional. Em outra frente, investigações e membros da CPMI apontam indícios de que os petistas baianos Rui Costa e Jaques Wagner atuariam como supostos “sócios ocultos” ou beneficiários diretos das operações de Vorcaro e Augusto Lima. Em paralelo ao caso do Banco Master, o escândalo do INSS expôs um esquema de corrupção que atingiu diretamente milhões de aposentados e pensionistas, vítimas de fraudes bilionárias em empréstimos consignados e descontos não autorizados. A crise colocou o governo Lula no epicentro da roubalheira.

Os desdobramentos da CPMI alcançam figuras próximas ao poder, mencionando desde familiares do presidente, como Lulinha e Frei Chico, até aliados históricos, a exemplo do ex-ministro Carlos Lupi (PDT). O mapa das investigações se estende também ao setor financeiro, envolvendo empresários ligados ao Banco Master, como Daniel Vorcaro e Augusto Lima, além de supostos sócios ocultos, Rui Costa e Jaques Wagner, dirigentes do PT na Bahia. A trama inclui ainda articuladores como a lobista Roberta Luchsinger e a figura central conhecida como o “Careca do INSS”. Nos primeiros dias de agosto, um novo escândalo de grandes proporções teria surgido no núcleo duro do governo Lula, envolvendo o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (“Marcola”), a lobista Roberta Luchsinger e o Lulinha. De acordo com informações divulgadas pela mídia, Luchsinger teria repassado a Marcola cerca de R$ 249 mil, além de joias de alto valor, recentemente descobertas.

Após o vazamento dessas suspeitas pela Polícia Federal, Lula demitiu discretamente Marcola, nomeando em seu lugar o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Swedenberg Barbosa, o Berger. Pouco depois de assumir o cargo, vieram à tona denúncias de supostas irregularidades envolvendo Berger e o chamado “Careca do INSS”, com a participação de Lulinha e da lobista Luchsinger. Na segunda-feira, dia 16, foi divulgado um diálogo considerado revelador entre Lulinha e Luchsinger. O conteúdo indicaria que o “Ronaldinho dos negócios” não apenas mantinha uma relação pessoal com a lobista, mas também seria apontado como o verdadeiro articulador do esquema, utilizando tráfico de influência para abrir portas nos ministérios e garantir o enriquecimento milionário do grupo.

Pelo ritmo dos acontecimentos e para o desespero dos lulopetistas, tudo indica que novas e sucessivas denúncias de corrupção envolvendo Lula, Lulinha, Luchsinger e outras figuras próximas ao núcleo do poder continuarão a surgir. Articulistas da grande mídia já especulam que Lulinha será intimado a depor na Polícia Federal, com risco de sair de lá direto para a Papuda. A CNN, em uma postagem na tarde de ontem, dia 17, confirmou que Lulinha está sendo intimado a depor na PF. Esses fatos têm potencial para implodir de vez a candidatura do ex-condenado e afastar do cenário político esse grupo acusado de saquear o Estado e comprometer o futuro da nação. O dia 4 de outubro se aproxima como um divisor de águas. Caberá ao eleitor decidir se teremos a coragem de varrer para sempre essa corja abjeta do cenário nacional ou se, por covardia ou conivência, continuaremos a alimentar o atraso, a corrupção e a degradação moral que sufocam o futuro do Brasil.

*João Arruda

Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.

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