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“O país que esqueceu que tem asas” – Por Maurício Filizola

“Não há demérito em ser celeiro do mundo. O problema é imaginar que nosso destino termina na porteira. Precisamos ser também indústria, tecnologia, patente, marca e inteligência”, aponta o empresário Maurício Filizola

Confira:

Há algum tempo ouvi uma comparação numa roda de amigos e que me trouxe esta inspiração. Algumas nações encontram em animais a imagem daquilo que desejam projetar. A águia americana voa alto e enxerga longe. O urso russo simboliza força e território. E alguém provocou: se buscássemos uma metáfora para certas contradições brasileiras, talvez encontrássemos o papagaio.

Não por falta de beleza. Mas pelo hábito de repetir.

A provocação me incomodou porque esconde uma pergunta maior: será que estamos construindo um país com voz própria ou ainda repetimos o mundo que outros imaginaram para nós?

Somos uma potência. Temos terra, água, energia, biodiversidade, conhecimento e gente trabalhadora. Aprendemos a produzir e alimentar o planeta. Mas, durante muito tempo, também nos acostumamos a exportar matéria-prima para importar valor agregado.

É como entregar a madeira e depois comprar o móvel.

Não há demérito em ser celeiro do mundo. O problema é imaginar que nosso destino termina na porteira. Precisamos ser também indústria, tecnologia, patente, marca e inteligência.

E eis que essa reflexão encontrou a realidade.

O Congresso acaba de aprovar a possibilidade de zerar o Imposto de Importação nas compras internacionais de até 50 dólares. Para o consumidor, comprar mais barato é naturalmente sedutor. Ninguém pode condená-lo por procurar economia.

Mas há uma pergunta que não cabe na etiqueta do preço: em que condições competirá quem produz e vende aqui?

Não defendo fechar o Brasil ao mundo. Concorrência é saudável. Protecionismo excessivo também constrói gaiolas. O que precisamos é equilíbrio.

Porque por trás de um produto brasileiro existem trabalhadores, fábricas, fornecedores, transportadores, lojas, salários e famílias. Se oferecemos vantagens ao que chega de fora sem buscar condições equivalentes para quem gera riqueza aqui, podemos baratear a compra de hoje e encarecer o futuro de amanhã.

Não queremos muros contra o produto estrangeiro. Queremos uma pista justa para o produto brasileiro.

O curioso é que países e pessoas se parecem. Ambos podem possuir talento, recursos e capacidade e, ainda assim, viver abaixo de suas possibilidades porque aprenderam a acreditar em seus próprios limites.

Talvez essa seja a pior das gaiolas: aquela que não tem grades.

O Brasil precisa produzir mais, mas sobretudo transformar mais. Inovar. Agregar valor. Estimular quem empreende e acreditar na própria inteligência.

Nosso problema nunca foi falta de asas.

Foi acreditar por tempo demais que a gaiola era o mundo.

O Brasil já aprendeu a alimentar o planeta. Agora precisa aprender também a surpreendê-lo.

Porque talvez tenha chegado a hora de lembrar:

O papagaio também sabe voar.

Maurício Filizola
Empresário e presidente da CDL de Fortaleza

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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