“O retorno do livro físico em tempos digitais” – Por Suzete Nocrato

Suzete Nocrato é jornalista e Mestra em Comunicação Social da UFC. Foto: Arquivo Pessoal

“Desde o início do ano passado, faço parte de uma dessas comunidades que dão voz à cultura. O Habla, Leitora reúne mulheres de diferentes formações acadêmicas e trajetórias de vida em torno da literatura”, aponta a jornalista Suzete Nocrato

Confira:

Esta semana, deparei-me com a informação de que o livro físico parece ter reconquistado espaço em um tempo dominado pelas telas. Depois de décadas de previsões alarmantes sobre seu desaparecimento e de sucessivas apostas nos e-books como substitutos definitivos, ele volta a ser descoberto — ou talvez reencontrado — por uma nova geração de leitores.

Talvez isso tenha relação com o cansaço provocado pelo ambiente digital e com a crescente necessidade de desacelerar. Em meio a esse universo que ocupa tantas horas dos nossos dias, cresce o desejo de se desconectar, de estar mais presente e de cultivar espaços de convivência para além do online.

Diante dessa realidade, tenho a percepção de que os impressos estão, pouco a pouco, recuperando espaço no cotidiano das pessoas. Basta ver a quantidade de clubes de leitura que surgiram nos últimos anos, com diferentes formatos e propostas. Na maioria, a opção é pelo livro físico, com a leitura de alguns capítulos e/ou tópicos que mais prendem a atenção.

Desde o início do ano passado, faço parte de uma dessas comunidades que dão voz à cultura. O Habla, Leitora reúne mulheres de diferentes formações acadêmicas e trajetórias de vida em torno da literatura.

A cada encontro, mergulhamos no universo das obras, trocamos interpretações, debatemos personagens e temas, apresentamos novo(a)s autore(a)s e, acima de tudo, compartilhamos o prazer da descoberta.

Com elas, ampliei meu repertório literário e descobri que ler pode ser muito mais do que um exercício solitário, pois aproxima quem, talvez, nunca se encontraria de outra forma.

Algumas preferem a obra em tela e encontram nesse formato tudo o que procuram. Eu, no entanto, jamais me encantei por completo com essa novidade tecnológica. Há algo em mim que ainda precisa do gesto de folhear páginas, do cheiro do papel, das rasuras entre as margens, das dobras discretas.

Gosto de sentir o livro nas mãos, de acompanhar a história avançando aos poucos, sem pressa. Às vezes, ele me leva a um pequeno espaço de silêncio, onde a atenção não precisa disputar nada com o resto do mundo.

Independentemente do formato — digital ou impresso —, o mais importante é reservar à leitura um lugar de destaque em nosso cotidiano. Em meio à pressa dos dias, nada melhor do que se conectar com escritores e escritoras que nos levam para lugares inimagináveis.

Como permanecer indiferente à delicadeza narrativa de Socorro Acioli, à sensibilidade de Ana Márcia Diógenes, ao rigor histórico de Lira Neto, à perspicácia de Glória Diógenes, à força criativa de Alberto Perdigão, à inventividade de Ana Karla Dubiela? Cada um, à sua maneira, revela a riqueza e a diversidade da literatura produzida no Ceará.

Suzete Nocrato
Jornalista e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará

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