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“O segredo dos japoneses” – Por Djalma Pinto

Djalma Pinto é advogado e especialista em Direito Eleitoral. Foto: Arquivo Pessoal

“Tal como ocorreu no Japão, uma nova mentalidade precisa florescer entre nós. Uma moderna diretriz educacional deve ampliar o conceito de educação para incluir a transmissão de valores”, aponta o advogado Djalma Pinto

Confira:

Os brasileiros ficam espantados com a ação dos japoneses nos jogos da Copa do Mundo. Ganhando ou perdendo, no final de cada jogo, recolhem o lixo que produziram nos estádios. O exemplo deixado no Brasil, em 2014, foi repetido em 2026, nos Estados Unidos. Qual o segredo para essa ação automática dos torcedores que, independentemente da classe social, não deixam o lixo nas arenas esportivas para ser recolhido por terceiros?

A professora Fabiana Oliveira Simplíssimo, após visitar as escolas no Japão, desvendou o segredo do comportamento dos seus torcedores: “Uma das principais curiosidades das escolas japonesas é que na maioria delas, os próprios estudantes são responsáveis pela limpeza das salas de aulas, corredores, lanchonetes e banheiros. O sistema educacional japonês acredita que exigir que os alunos cuidem da limpeza os ensinará a trabalhar em equipe e a ajudarem-se mutuamente”.

Como o Japão conseguiu mudar tão rapidamente a mentalidade de um povo que, em 1944, surpreendia o mundo com a agressividade, a violência e a audácia de seus pilotos Kamikazes, arremessando seus aviões contra alvos, na guerra já sabidamente perdida, morrendo e matando pelo imperador? Antes da Segunda Guerra, as suas crianças eram educadas para morrer pelo imperador. Depois do conflito, passaram a ser educadas para a solidariedade, para não prejudicar o próximo.

Célia Sakurai, doutora em Ciências Sociais, no seu livro “Os Japoneses”, explica essa transformação: “Um dos grandes problemas enfrentados pelas forças de ocupação localizava-se no setor de educação. Trocar pessoas, renovar ou criar instituições, tudo isso é relativamente simples se comparado com o desafio de mudar mentalidades. Reciclar professores era uma tarefa que demandava um esforço muito grande. Como transmitir aos jovens uma outra visão do seu país? Novas diretrizes educacionais foram estabelecidas. Todo o material didático foi renovado. O ensino compulsório se estendeu para nove anos. Cada província ganhou ao menos uma universidade a fim de abrir oportunidades, o que também ajudaria a acirrar a competição entre os japoneses e destacaria o mérito pessoal.”

No Brasil, quando a Constituição se reporta à necessidade de colaboração da sociedade com a educação, está, na prática, fazendo esta advertência: ajudem os educadores, cooperem com eles para o florescimento de um novo espírito de brasilidade, nascido da dedicação ao estudo, capaz de gerar conhecimento e estímulo ao trabalho. Cooperem para a redução da compulsão, não somente por apropriação indevida do dinheiro público, mas também pelo furto dos telefones das pessoas indefesas.

Tal como ocorreu no Japão, uma nova mentalidade precisa florescer entre nós. Uma moderna diretriz educacional deve ampliar o conceito de educação para incluir a transmissão de valores. Somente assim, acalmaremos os impulsos e os espíritos, permitindo que todos, com acesso à escola de qualidade, contribuam para a paz nas nossas cidades. Dessa forma, cada pessoa poderá andar nas ruas sem medo de ser assaltada. Com esse simples acréscimo na educação infantil, o cidadão brasileiro, mais seguro e tranquilo, poderá finalmente se declarar feliz, sem desconfiar de quem caminha ao seu lado.

Quando todas as escolas estimularem a cultura da solidariedade e do respeito ao dinheiro público, conscientizando os alunos de que o poder político, cuja conquista se dá por meio do voto dos eleitores, destina-se, exclusivamente, para servir à sociedade, não para a maximização do patrimônio daquele que o exerce, o País terá uma classe política mais confiável, sem produção incessante de escândalos. Se o Japão conseguiu mudar sua cultura, o Brasil poderá seguir-lhe o caminho por meio da escola, da família e com a abolição da impunidade, raiz dos intermináveis escândalos, que entristecem e envergonham a cidadania.

Djalma Pinto
Advogado, ex-procurador geral do Ceará, Mestre em Ciência Política e autor de diversos livros, entre os quais Direito Eleitoral Anotações e Temas Polêmicos, Educação para a Integridade, O Direito e o Comprovante Impresso do Voto, Ética na Política, Distorções do Poder, Educação para a Cidadania, Cidade da Juventude, Pesquisas Eleitorais e a Impressão do Voto, Marketing, Política e Sociedade

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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