“Quem chega é recebido por um abraço, quem fica é convidado para o lanche, quem está indo embora ganha outro abraço, envolvido na frase: a palavra é gratidão”, aponta a jornalista e escritora Ana Márcia Diógenes
Confira:
De vez em quando, Bia interrompe o corte ou a barba que está fazendo, no seu salão. Vai entregar pão, rosca de queijo, café com leite a alguém que passa e para na porta. Reparte o que preparou de lanche naquele dia; o mesmo que oferece aos clientes.
Passei a ir ao salão da Bia há pouco tempo, indicada por uma amiga que é cliente de muitos anos. Quem chega é recebido por um abraço, quem fica é convidado para o lanche, quem está indo embora ganha outro abraço, envolvido na frase: a palavra é gratidão.
Aos poucos vou sabendo mais de Bia, que é budista, que já morou fora… Detalhes de uma trajetória de vida que fazem dela, para quem a vê desde a primeira vez, uma pessoa com um sorriso que a gente quer ter sempre por perto.
Nas duas vezes em que fui lá, a sensação que ficou é de que ser gentil não é só encher a boca de palavras leves ou ser flexível. É realmente uma forma de se colocar diante do outro, de qualquer outro.
Quem acompanha o que escrevo nessas crônicas sabe que sempre uso palavras como felicitância, alegrança. E outras vão se juntando, para definir novas sensações, situações que me chegam.
Para Bia e seu afeto gigantesco com todos os outros, acho que a palavra admirância é a que veste melhor.
Ana Márcia Diógenes é jornalista e escritora