“Votar em Lula, goste ou não dele, será um ato patriótico” – Por Fátima Vilanova

Fátima Vilanova é doutora em Socióloga pela UFC. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Votar em Lula, goste-se ou não dele, será um ato patriótico”, eis artigo de Fátima Vilanova, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará. “Flavio representa a vitória da tentativa de golpe, de 8 de janeiro de 2023, pela anistia aos criminosos que pretende conceder, e uma ameaça à democracia, pela abrangente reforma da Constituição que fará para viabilizar seu projeto de poder. Por tudo isso, votar em Lula, goste-se ou não dele, será um ato patriótico da sociedade brasileira, que se recusa a atirar-se no precipício”, expõe a articulista.

Confira:

O Brasil vive um momento muito angustiante, apavorante, mesmo, frente ao precipício que se anuncia, caso o candidato Flávio Bolsonaro seja eleito, neste segundo turno das eleições. A proposta de Flávio Bolsonaro é de implementar no Brasil o mesmo que Javier Milei fez na Argentina para equilibrar as contas públicas e reduzir o déficit fiscal: cortes de gastos, que ele estima em 250 bilhões de reais.

Acontece que, na Argentina, Milei encontrou a inflação, no acumulado de 12 meses, em 290%, muito diferente do contexto do Brasil, em que se espera 5,22% de inflação em 2026 (Boletim Focus do Banco Central). Embora ela esteja acima da meta, o que não é desejável, não se pode esquecer o papel da Selic exorbitante, de 13,75% (em setembro de 26, segundo o BC), que retroalimenta a inflação. Esta questão não pode ser minimizada pelo Banco Central, que deveria reduzir os juros reais de 8,45%, aos níveis praticados pelos países desenvolvidos, que variam entre 1% a 2%. O que acontece no Brasil não tem explicação técnica.

O governo precisa reduzir gastos, não há como fugir desta imposição fática. Porém, jamais cortando direitos duramente conquistados pelos trabalhadores, e que são responsáveis pela ampliação do poder de compra, crescimento do mercado interno, fortalecimento da economia, e redução do desemprego, cuja taxa ficou em 5,3%, em agosto de 2026 (IBGE).

Os políticos é que constituem as reais fontes de despesas, desperdícios e corrupção, que drenam as riquezas do Brasil. O que se exige é que o Legislativo corte na própria carne, extinguindo emendas parlamentares, reduzindo os fundos eleitoral e partidário, as verbas para pagar assessores e demais despesas de mandato, eliminando todos os privilégios.

O Executivo e Judiciário necessitam fazer o mesmo, começando por barrar salários acima do limite constitucional, eliminando todos os penduricalhos, cartões corporativos, carros oficiais com motorista, cortando cargos comissionados, deslocamento de autoridades por aviões da FAB, participação em conselhos de estatais com salários exorbitantes, enfim, tudo que representa abuso, privilégio, despesa para o contribuinte, banindo os sigilos das despesas públicas, com auditoria completa de suas contas, para detectar e corrigir os abusos.

A proposta de governo de Flávio Bolsonaro tem como alvo dos cortes os trabalhadores e seus direitos, o funcionalismo público, os programas sociais, o salário mínimo, que não terá ganho real, as aposentadorias, que ficarão sem correção pelo salário mínimo, a revogação do fim da escala 6×1, da reforma tributária, que desonera a cesta básica, e mais reforma da Previdência.

O candidato Flávio Bolsonaro acerta no diagnóstico do excesso de gastos da máquina pública, mas erra no remédio, quando se propõe a cortar no lugar errado. O que ele pretende fazer, seguindo a receita de Milei, resultará no encolhimento da economia, pela redução do
poder de compra dos salários, e pelo desemprego, gerando recessão e miséria generalizada. Flávio esquece que o Brasil está na 10ª posição no ranking das maiores economias do mundo, que o FMI projeta que avance em 2027, para a 7ª colocação.

A vitória de Flávio Bolsonaro significará um retrocesso gravíssimo, pela negação da ciência, da cultura, das mudanças climáticas, pela devastação do meio ambiente, pelo sucateamento das universidades públicas, desmonte do SUS, possível privatização da Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, da educação, da saúde, retirada de direitos dos trabalhadores, e entrega do país aos interesses americanos.

É pouco? Tem mais. Para piorar tudo, Flavio representa a vitória da tentativa de golpe, de 8 de janeiro de 2023, pela anistia aos criminosos que pretende conceder, e uma ameaça à democracia, pela abrangente reforma da Constituição que fará para viabilizar seu projeto de poder. Por tudo isso, votar em Lula, goste ou não dele, será um ato patriótico da sociedade brasileira, que se recusa a atirar-se no precipício.

*Fátima Vilanova

Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), autora do livro “Está tudo errado…” (Disponível na Amazon), e criadora do Movimento pela Moralização da Política.

Participe do Movimento no YouTube: @fatimavilanova6810

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