“Quando discordar virou motivo de guerra!” – Por Leopoldo Martins

Leopoldo Martins é advogado. Foto: Divulgação

“A democracia não exige unanimidade, depende da pluralidade, do antagonismo de ideias”, aponta o advogado Leopoldo Martins

Confira:

Chegamos a um paradoxo: em uma democracia, muitos pensam duas vezes antes de revelar seu candidato. O receio é desagradar familiares, perder amigos, sofrer ataques à honra. Quando o voto ameaça destruir vínculos, a política invade a convivência.

A polarização transformou o debate em campeonato. Alguns tratam candidatos como ídolos intocáveis e adversários como inimigos. Argumentos cedem lugar a rótulos; críticas viram traição; fatos contrários à preferência pessoal são descartados.

O problema não está em defender convicções ou criticar candidatos. O confronto de ideias é indispensável à democracia. O perigo surge quando a discordância serve para humilhar, intimidar, romper amizades ou atacar o caráter de alguém. A preferência eleitoral não resume os valores de uma pessoa.

Há um custo silencioso: para evitar conflitos, cidadãos escondem opiniões. No ambiente profissional, o temor de perder clientes transforma o silêncio em estratégia de sobrevivência. Uma coisa é escolher com quem se relacionar; outra é converter diferenças políticas em ofensa ou retaliação.

A democracia não exige unanimidade. Depende da pluralidade, do antagonismo de ideias. Divergir não é falha: é parte da liberdade. O limite está no respeito aos direitos alheios e na possibilidade de discutir sem ameaçar ou desumanizar.

É possível discordar e continuar à mesma mesa, preservando afeto e respeito. Precisamos trocar “de que lado você está?” por “quais razões sustentam sua opinião?”. Ouvir não significa concordar; rever uma posição não é fraqueza; reconhecer a humanidade do outro não diminui a própria convicção.

O voto é individual, a consciência é livre e a convivência é responsabilidade de todos. Democracia saudável não é aquela em que todos pensam igual, mas aquela em que ninguém esconde o que pensa por medo de rejeição. O adversário não precisa ser amigo, mas não deve ser tratado como inimigo por escolher diferente. Quando a política rompe laços sociais, a derrota é coletiva, qualquer que seja o resultado das urnas. Respeito não exige silêncio, mas diálogo.

Leopoldo Martins
Advogado, Membro Consultivo da Comissão Eleitoral do CFOAB e Membro Titular da Comissão Eleitoral da OAB/CE

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Uma resposta

  1. Exemplo do Sr.Jair Bolsonaro esta visível no filho Flávio Bolsonaro, falta de respeito, humilhar as pessoas, esqueceram o Estatuto do Idoso referente as deficiências que está presente em muitos cidadãos brasileiros., a terceira idade apresenta muitos problemas de saúde geralmente adquiridos devido as atividades profissionais. Ontem a noite um luxuoso veículo transportando um reboque com uma urna funerária com música fúnebre e uma foto do Lula a mensagem “Vai em paz companheiro ” , insulto no nível do Flávio Bolsonaro.

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