“Quando o Futuro Recebe Crédito” – Por Maurício Filizola

Maurício Filizola é presidente da CDL de Fortaleza. (Foto: Eugênia Nogueira/Divulgação)

“Porque o crédito, quando chega na hora certa, não financia apenas sementes, adubo ou equipamentos. Ele financia a coragem de continuar acreditando quando o futuro ainda existe apenas como possibilidade”, aponta o presidente da CDL Fortaleza, Maurício Filizola

Confira:

Algumas lembranças da infância permanecem vivas não pelo tamanho do acontecimento, mas pelo significado que só o tempo nos permite compreender.

Uma delas me leva de volta a São Benedito, cidade onde vivi parte da minha infância. Meu pai tinha um sítio, e a vida da nossa família seguia o ritmo das chuvas, do preparo da terra e da esperança de uma boa colheita. Havia uma cena que se repetia todos os anos. Antes do plantio, ele seguia para a agência do Banco do Nordeste.

Naquele tempo, eu imaginava que ele fosse apenas buscar um financiamento.

Hoje compreendo que ele voltava trazendo muito mais do que recursos financeiros.

Voltava trazendo confiança.

Porque o crédito, quando chega na hora certa, não financia apenas sementes, adubo ou equipamentos. Ele financia a coragem de continuar acreditando quando o futuro ainda existe apenas como possibilidade.

Com o passar dos anos, descobri que aquela porta por onde meu pai entrava nunca pertenceu apenas ao agricultor.

Por ela passaram comerciantes que abriram as primeiras lojas, industriais que ampliaram suas fábricas, empreendedores do turismo que ajudaram a mostrar a beleza do Nordeste ao mundo, prestadores de serviços que transformaram conhecimento em oportunidades e, mais recentemente, empresas inovadoras que encontraram espaço para desenvolver tecnologia e criar novos caminhos para nossa economia.

Talvez seja essa a maior vocação do Banco do Nordeste.

Mais do que conceder crédito, ele ajuda pessoas a transformar projetos em realidade.

Hoje, à frente da CDL Fortaleza, testemunho diariamente a importância dessa parceria para o fortalecimento do comércio. Muitos empresários associados encontram no Banco do Nordeste um aliado para investir, ampliar seus negócios, modernizar suas operações, gerar empregos e manter viva a capacidade de empreender mesmo em cenários desafiadores.

O desenvolvimento raramente acontece por acaso.

Ele nasce quando instituições acreditam nas pessoas antes mesmo de os resultados aparecerem.

A vida me ensinou que toda grande árvore começou invisível, escondida dentro de uma pequena semente.

O mesmo acontece com os sonhos.

Alguém precisa acreditar neles antes que floresçam.

Neste 19 de julho, ao celebrar os 74 anos do Banco do Nordeste, minha homenagem nasce muito mais da memória do que dos números.

Lembro daquele menino esperando o pai voltar da agência em São Benedito sem imaginar que, décadas depois, compreenderia que ali não se financiavam apenas safras.

Financiavam-se negócios, empregos, inovação, turismo, indústria e Comércio.

E, acima de tudo, a esperança de milhões de nordestinos que decidiram construir o próprio futuro.

No fim das contas, descobri que existem instituições que medem seu patrimônio pelo tamanho dos seus ativos.

Outras podem medi-lo pelas vidas que ajudaram a transformar.

E poucas riquezas são tão valiosas quanto participar silenciosamente da história de uma região inteira.

Porque todo desenvolvimento começa exatamente no mesmo lugar:

No instante em que alguém decide acreditar primeiro.

Mauricio Filizola
Presidente da CDL Fortaleza

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