“Sarapatel não é sarrabulho” – Por Mário Miranda de Albuquerque

Mário Miranda de Albuquerque é defensor dos direitos humanos. Foto: Divulgação

“Não tem coisa mais pra puxar memória do que comida e esse prato tem o dom de sacar do fundo do baú os domingos de manhãzinha bem cedo, dia amanhecendo, eu na casa do homem que matava porco pro consumo da redondeza”, aponta o defensor de direitos humanos Mário Miranda de Albuquerque

Confira:

O sarapatel (do carneiro, diferente do sarrabulho, que é do porco, que só descobri no Armário Bar, servido e não dava pra quem queria, às sextas da lavra da mãe do Armando, pernambucana, com o tempero distintivo a dar-lhe um sabor especial e característico, que cearense desconhece, o cominho), já tá pronto, faltando finalizar com não sei o quê (esperando meu vizinho acordar pra passar a tarefa pra ele, melhor do que eu na cozinha, formado nas cabeceiras da cultura sertaneja).

Não tem coisa mais pra puxar memória do que comida e esse prato tem o dom de sacar do fundo do baú os domingos de manhãzinha bem cedo, dia amanhecendo, eu na casa do homem que matava porco pro consumo da redondeza. Tinha que chegar cedo, pois logo acabava. Se chegasse mais cedo ainda dava pra acompanhar a execução do animal, por um golpe certeiro da parte contrária à lâmina do machado (errou vira um trucidamento, com os gritos lancinantes do bicho a acordar o quarteirão). E pegar o ritual do animal pendurado sendo raspado a baldes de água fervente e depois aberto de cima abaixo e dividido em partes conforme sua anatomia e rapidamente vendido de acordo com o poder de compra de cada um.

O almoço era servido ao som de Vicente Celestino, nas ondas do rádio a válvula veiculado pelo programa do Wilson Machado, da Ceará Rádio Clube.

Depois era tirar uma soneca pras 17 horas se mandar a pé pro PV pra pegar “a hora do pobre” em algum jogo do meu Ferrim.

A família era grande, seu minino, mais de doze boca famintas, fora os agregados dos domingos.

Mário Miranda de Albuquerque é conselheiro da Comissão Nacional de Anistia e defensor de direitos humanos

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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