“A jornada do empresário Alex Bacana, pelos cinco continentes, durou bem mais que os seis meses de voo pelo mundo”, aponta o jornalista Paulo Nóbrega
Confira:
A vida diariamente nos impõe situações que parecem fazer chegar ao inalcançável, ao surreal, ao inatingível. O comodismo, a predileção pelo conforto e pela segurança, sobre o que fazemos e sobre o que planejamos realizar, soam bem mais razoáveis ante o desconforto, a insegurança e o desconhecido. A façanha alcançada pelo piloto de avião Alexandre Frota no último dia 12 de setembro de 2026 revela, acima de tudo, que inquietude e persistência, quando aliadas ao planejamento, proporcionam um efeito assustador: o de se fazer chegar, tocar e viver o impossível.
A jornada do empresário Alex Bacana (como carinhosamente é chamado o comandante cearense), pelos 5 continentes, durou bem mais que os 6 meses de voo pelo mundo. Antes da partida no aeródromo do Catuleve, em Aquiraz, foram anos de planilhas, cálculos, necessidades, previsões, anos de programação. E durante todo esse processo, uma pergunta parecia sempre martelar com a aflição lúcida da realidade: como um modelo experimental, monomotor, tripulado apenas por seu piloto ao redor do globo, conseguiria realizar tal proeza? Alexandre nos mostrou como.
Na companhia presente, ativa e fundamental da família, mesmo diante da crueldade da distância, assim como de consultores, técnicos, amigos e mestres, o piloto foi, dia a dia, ganhando quilômetros percorridos, experiência e confiança. Ganhou fãs e seguidores também, como este que vos escreve. E aí descobrimos quantos apaixonados por aviação, assim como eu, estão espalhados mundo afora. A saga virou novela diária, daquelas onde o ‘impossível’ era dormir ou acordar sem notícias do aventureiro. Por quais perrengues passou, como pousou, onde se hospedou, quais cidades conheceu, o que comeu, quanto gastou? Perguntas respondidas com a leveza e o sorriso dos fortes de espírito, mesmo nas tempestades.
A lucidez, a força de vontade, o foco e o bom humor foram combustível na jornada. Afinal, nem tudo foram Estátua da Liberdade, pirâmides do Egito, selva amazônica. Houve chuva, gelo, burocracia, planos refeitos, ansiedade. Sobraram desafios, quase que diários.
Alex Bacana tocou novamente o solo do Catuleve fazendo história, entrando para a história. Seu nome estará em livros, palestras, em conversas sobre o cearense que enfrentou o mundo em um pequenino avião experimental.
Seu nome será lembrado por mostrar ao mundo que humildade, simplicidade, preparação, garra, resiliência e positividade podem levar qualquer um ao alto, ao ápice. Podem levar à negação do impossível.
Paulo Nóbrega
Jornalista e gerente de Comunicação da FIEC