“Sexualidade e Envelhecimento” – Por Zenilce Bruno

Zenilce analisa questões da sexualidade. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Sexualidade e Envelhecimento”, eis artigo de Zenilce Bruno, psicóloga e sexóloga. “Em nossa sociedade, vejo indivíduos que vivem na Era da Tecnologia, mas deixaram seus órgãos genitais na Idade da Pedra”, expõe a articulista.

Confira:

O potencial para o prazer erótico nos acompanha do nascimento à morte. Os efeitos da idade, porém, não nivelam as respostas sexuais, pois cada pessoa envelhece de acordo com sua história de vida. Casais podem aprender a lidar com essas mudanças, fortalecendo a intimidade e ampliando o prazer compartilhado. Como afirma Kaplan, as formas de fazer amor podem adaptar-se às necessidades de cada um, enriquecendo a relação por meio da sensibilidade, da generosidade e das adaptações mútuas.

A revolução sexual dos anos 1960 trouxe profundas mudanças no comportamento da sociedade. Ainda assim, valores morais, sociais e sexuais continuam presentes, muitas vezes de forma velada. Muitos adultos permanecem presos à ideia infantil de negar aos próprios pais uma vida sexual, restringindo-os ao papel exclusivamente paterno. Por isso, falar sobre sexualidade na terceira idade ainda provoca desconforto.

A idade não dessexualiza o indivíduo; a sociedade, sim. Vivemos sob o estereótipo de que a sexualidade pertence apenas aos corpos jovens e saudáveis, impondo aos idosos a expectativa de ausência de desejo, excitação e prazer. Para muitos, envelhecer torna-se sinônimo de quietude, perdas, inutilidade, baixa autoestima, assexualidade e até de uma “morte em vida”.

Felizmente, essa visão vem sendo transformada. Há cada vez mais pessoas maduras vivendo com dinamismo, participação social, cultural e política, construindo novas formas de se relacionar com o tempo e com a vida. O envelhecimento é um processo fisiológico, não uma doença. Embora possa trazer limitações físicas, não precisa limitar a qualidade de vida. Quando o espírito permanece estimulado, ele floresce e se expressa também no corpo.

O desejo de amar não se aposenta. O amor acompanha o ser humano até o fim da vida. Velhice não significa renúncia ao afeto; muitas vezes, é justamente quando se ama com mais liberdade e desprendimento. Em qualquer idade, a sexualidade continua sendo uma invenção do espírito e um desafio à finitude. É o afeto que transforma o outro em alguém especial e dá sentido à experiência amorosa.

Sabemos da importância da sexualidade para nossa saúde e nossos relacionamentos. Por isso, é hora de reafirmarmos o direito de viver o amor e o prazer em todas as fases da vida. Procuremos descobrir em nós a sagrada chama do amor. Às vezes parecerá que ela se apagou. Mas basta soprar as brasas sob as cinzas para vê-la arder novamente. O amor está em nós. Ele é a nossa própria alma.

*Zenilce Bruno

Psicóloga e Sexóloga.

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