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“Sobre olhar e não ver” – Por Ana Márcia Diógenes

Ana Márcia Diógenes é jornalista e escritora. Foto: Divulgação

“Tomei um susto ao perceber que há dois meses, pelo menos duas vezes por semana, eu passava, e não via, uma parede pintada com frases de boas-vindas”, aponta a jornalista e escritora Ana Márcia Diógenes

Confira:

Gosto de ser uma pessoa dos detalhes. No mais que posso, busco demorar o olhar em ângulos, palavras, cheiros, cores, movimentos. Tento evitar que passem despercebidos na nossa pressa diária. Parte das crônicas que escrevo surge desse olhar demorado nas coisas, nas pessoas, nos fragmentos de tempo.

Esta semana, porém, tomei um susto ao perceber que há dois meses, pelo menos duas vezes por semana, eu passava, e não via, uma parede pintada com frases de boas-vindas e ilustrações na clínica onde faço aulas de alongamento. Eu havia visto “somente” o sofá abaixo da pintura, que ocupa quase duas vezes o tamanho do móvel.

Ao deixar escapar esta percepção, fiquei pensando nos porquês. Será que a cor azul marinho e o estilo meio vintage do sofá chamaram mais a minha atenção? Ou será que coincidiu com um período em que cheguei atrasada e passava de cabeça baixa, concentrada apenas no tempo?

A forma como descobri o vacilo revela a resposta. As alunas de alongamento estavam elogiando os novos colchonetes macios da clínica, e eu disse “as frases lá fora também ficaram ótimas”. Quando uma delas observou que haviam sido pintadas há mais de dois meses, fiquei impactada por só ter visto a pintura naquele exato dia.

A chacoalhada me levou a pensar: se, mesmo sendo uma pessoa atenta ao detalhe, ignorei uma parede inteira, imagina quem é mais distraído e não se detém a ver, ficando apenas no olhar.

Diante dos variados desafios e estímulos que disputam nossa atenção, percebi que o exercício de notar e se demorar nos detalhes do momento presente precisa ser diário e constante. Caso contrário, o nosso próprio olhar, acuado pela pressão do tempo e da rotina, nos boicota.

Ana Márcia Diógenes é jornalista e escritora

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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