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“Três empresários e a crítica ao ônibus de graça à população… um minuto, vou vomitar”

Nicolau Araújo é jornalista

“Pior mesmo foi o terceiro empresário, o ex-prefeito Naumi Amorim, que na condição de político deveria ter empatia para com a população mais pobre. Mas prevaleceu somente o empresário”, aponta o jornalista Nicolau Araújo. Confira:

Quem já não ouviu falar que o Bolsa Família deixou a população pobre sem querer trabalhar, diante da garantia de uma renda mensal de 600 reais? Que não se consegue mais uma empregada doméstica, porque “a negra agora passou a botar banca”?

A grita, claro, é de quem já não pode mais tirar proveito de um salário mínimo na sua linha de produção, no seu comércio ou nos afazeres de um lar.

Patrão não gosta de benefícios sociais a seus empregados, pois já aturam um décimo terceiro salário, quando arrecadam doze meses. Tampouco um mês inteiro de salário, acrescido de 1/3, quando o seu trabalhador se ausenta em período de férias.

Até quando ele mesmo se beneficia de um programa social, o patrão critica.

É o caso do ônibus de graça em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, que inspirou outras cidades a adotarem o mesmo sistema, enquanto capitais seguem com o planejamento, após visitas ao vizinho  município da capital cearense.

Foi o que ocorreu durante um programa na TV Metrópole, com apresentação dos empresários Carlos Marcieri e Áurea Cedraz. Enquanto o empresário diz ser contra “tudo o que é de graça” para a população, a empresária discrimina a pobreza, ao afirmar que o ônibus de graça aumenta, inclusive, a violência, sem citar nenhuma fonte de pesquisa na área da segurança pública. “Porque aquelas pessoas que estão no ócio, que não fazem nada na vida, que está ali, disposta a roubar, é só entrar no ônibus de graça e vai” (sic).

Pior mesmo foi o terceiro empresário, o ex-prefeito Naumi Amorim, que na condição de político deveria ter empatia para com a população mais pobre. Mas prevaleceu somente o empresário, ao apontar que “esse povo que tem o emprego, eles acham ruim. Não agrada, vai agradando aqueles que não tinham dinheiro para pagar mesmo, que ficam andando, ficam vadi… (interrompe a fala)”.

Na lógica do ex-prefeito, que limita o alcance do Bora de Graça à sua visão de empresário e à falta de vontade política de seguir com a gratuidade, caso eleito, os seus funcionários recebiam vale-transporte e não precisavam de um ônibus de graça. Por certo, os funcionários de Naumi Amorim não possuem vida social, lazer, tampouco familiares usuários do transporte gratuito.

Na aula que os três empresários faltaram, o Bora de Graça registrou um acréscimo nas contratações do comércio, diante do aumento no faturamento, de acordo com dados da CDL de Caucaia, além de uma melhor procura por empregos, de lazer e de eventos culturais, antes limitados pelo valor da passagem.

Em uma aula particular ao empresário Naumi, seus funcionários ganharam com o transporte gratuito, pois deixaram de contribuir com 6% em seus salários. A deduzir que o empresário paga o salário mínimo, cada empregado deixou de pagar mais de 84 reais ao mês, o que acrescenta à renda familiar o valor de mais de um mil reais ao ano.

Empresários com consciência social em Caucaia passaram a investir em vale-alimentação, o que antes eram suas contribuições em vale-transporte.

Na condição de ex-prefeito e na sua vontade de voltar a ser gestor, Naumi sequer defendeu a população mais pobre de Caucaia contra ataques dos colegas empresários, que marginalizaram benefícios sociais e a própria pobreza. “(ônibus de graça) vai agradando aqueles que não tinham dinheiro para pagar mesmo, que ficam andando, ficam vadi…”

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

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