“Trump descobriu que bombas não substituem estratégia” – Por Luiz Henrique Campos

Trump e sua politica bélica sem resultados. Foto: Reprodução

Com o título “Trump descobriu que bombas não substituem estratégia”, eis a coluna “Fora das 4 Linhas”, desta segunda-feira, assinada pelo jornalista Luiz Henrique Campos. “A ideia de que bastaria elevar o tom e ampliar a pressão para forçar a rendição revelou-se cálculo simplista para uma das regiões mais complexas do planeta. O Oriente Médio nunca respondeu bem à política do “quem pode mais, manda”. A história recente está repleta de exemplos que desmentem essa lógica. O Irã sabe que não venceria confronto convencional contra os Estados Unidos. Nunca foi essa a sua estratégia”, expõe o colunista.

Confira:

A nova escalada bélica entre Irã e Estados Unidos expõe realidade que muitos líderes insistem em ignorar. O poder militar, por si só, não garante vitória política. Mísseis podem destruir instalações, caças podem dominar os céus e porta-aviões podem intimidar adversários. Mas nenhum arsenal é capaz de obrigar qualquer país a abandonar seus interesses estratégicos apenas pela demonstração de força.

Foi justamente nessa armadilha que Donald Trump parece ter se lançado. Convencido de que a esmagadora superioridade militar americana seria suficiente para dobrar Teerã, apostou na lógica da intimidação. O problema é que o regime iraniano não surgiu ontem nem sobreviveu por acaso. Há mais de quatro décadas enfrenta sanções, isolamento econômico, ameaças externas e operações militares indiretas sem abandonar sua estrutura de poder.

A ideia de que bastaria elevar o tom e ampliar a pressão para forçar a rendição revelou-se cálculo simplista para uma das regiões mais complexas do planeta. O Oriente Médio nunca respondeu bem à política do “quem pode mais, manda”. A história recente está repleta de exemplos que desmentem essa lógica. O Irã sabe que não venceria confronto convencional contra os Estados Unidos. Nunca foi essa a sua estratégia.

Sua força está na capacidade de prolongar crises, ampliar o custo político dos adversários, mobilizar aliados regionais e transformar cada ofensiva militar em problema diplomático para Washington. É a guerra do desgaste, não de demonstração de força. Trump, ao contrário, corre o risco de transformar demonstração de poder em desgaste político.

Um conflito prolongado como este significa aumento das tensões internacionais, instabilidade nos mercados, pressão sobre o preço do petróleo e questionamentos dentro dos próprios Estados Unidos. A promessa de evitar novas guerras no Oriente Médio pode acabar soterrada pelas consequências de escalada cuja saída ninguém consegue prever.

Isso não significa absolver o regime iraniano de suas responsabilidades. O governo de Teerã continua sendo alvo de críticas por sua repressão interna, por seu programa militar e pelo apoio a grupos armados que atuam na região. Mas reconhecer esses fatos não torna automaticamente eficaz qualquer estratégia baseada exclusivamente na força.

As grandes potências frequentemente cometem o mesmo erro, ao confundir estratégia em superioridade bélica com capacidade de controlar acontecimentos políticos. A experiência do Vietnã, do Afeganistão e do Iraque já demonstrou que vencer militarmente não equivale a alcançar os objetivos estratégicos de uma guerra. O que está em jogo agora não é apenas o embate entre Washington e Teerã.

*Luiz Henrique Campos

Jornalista e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar.

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