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“Um Minuto de Silêncio” – Por Maurício Filizola

Maurício Filizola é empresário e diretor do Sincofarma/CE

“A pergunta que fica é: o que ocorreu com o nosso futebol? É a administração oligárquica do presidente da CBF?”, aponta o empresário Maurício Filizola

Confira:

Nem o aumento no preço do café, nem a escassez de ovo na quitanda, nem a desistência do sertanejo Gustavo Lima de disputar a Presidência da República, nada nos causou tanto espanto, mais recentemente, do que perder para a Argentina de 4 a 1, com direito a dar apenas dois chutes a gol.

É que, mesmo na ditadura militar, o futebol, para nós, sempre foi o bálsamo que alivia as dores e traumas do nosso povo, principalmente dos mais humildes, para quem, em virtude da dureza diária da vida, restam poucas alternativas de lazer e de ufanismo.

Quando a “Pátria de Chuteiras” entra em campo, até a nossa síndrome de cachorro vira-lata – expressão cunhada na década de 50, por Nelson Rodrigues, que traduzia o nosso sentimento de inferioridade em relação a outros países – vira do avesso, e a gente se sente uma superpotência mundial. Quer dizer… se sentia, né?

Saudosismo e nostalgia à parte, fica difícil, para quem se acostumou com Romários, Ronaldinhos, Kakás, Robertos Carlos, ou seja, a imprimir pânico nos adversários pela nossa incomparável qualidade com a bola nos pés, se acostumar com subprodutos como Murillo, Joelinton, Aranna. A gente aceita, sim, o um minuto de silêncio póstumo cantado pelos argentinos, no fim do jogo. É mais honroso do que a amarelada do Raphinha botando a culpa da ameaça que fez aos caras na tradução do idioma.

A pergunta que fica é: o que ocorreu com o nosso futebol? É a administração oligárquica do presidente da CBF, que vetou – por exemplo – que os presidentes de federações estaduais sequer recebessem uma visita de Ronaldo Fenômeno, que demonstrou interesse em dirigir a entidade e pediu, apenas, para ser ouvido?

É a falta de disciplina e liderança dos nossos treinadores que faz com que, mesmo entendendo mais de futebol do que os portugueses, percam cada vez mais espaço para os patrícios, até nos times nacionais?

É a violência urbana que comprometeu nossa fábrica de craques – os campos de terra das periferias de nossas cidades – que ou cederam lugar para o boom imobiliário dos condomínios de luxo ou esvaziaram-se, amedrontados pelo crime organizado?

Ou isso é apenas mais um sintoma da nossa sociedade hiperconectada – a exemplo do que também ocorre com outras mãos-de-obra – em que nossos jovens talentos se enclausuram, se deprimem, se boicotam, se omitem dos grandes feitos, dos grandes sonhos, das grandes possibilidades, preferindo, nas palavras de Theodore Roosevelt, “a companhia dos espíritos tímidos, que não conhecem nem a vitória, nem a derrota”?

Sendo todas essas coisas, ou uma ou outra coisa ou nem uma coisa nem outra, a gente precisa achar o caminho de casa.

Porque a gente até se acostuma a viver sem quase nada.

Desde que não falte o bom futebol.

*Maurício Filizola

Empresário e diretor do Sincofarma/CE.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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  • Gostei doa subprodutos. Vdd! Aliás o Brasil está cheio de subprodutos.

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