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“Vagalume ” – Por Totonho Laprovítera

Totonho Laprovíítera: o contador de hstórias. Foto: Portal IN

Com o título “Vagalume”, eis mais um texto da lavra de Totonho Laprovitera, arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

… e um vagalume lanterneiro que riscou um psiu de luz…” (Guimarães Rosa)

Confira:

Bicho irreverente e criativo é o boêmio.

Eu estava no bar do “seu” Teógenes quando apareceu um sujeito falante dizendo ter luz própria. Num piscar de olhos, Sitônio mandou ver: “Chegou o Vagalume!”

O apelido pegou na hora. E, como acontece com tantas histórias de bar, a brincadeira acabou despertando minha curiosidade.

Descobri que os vagalumes carregam lanternas no próprio corpo. Produzem uma luz fria, nascida de uma reação química, que serve para se comunicar e atrair parceiros. A natureza parece gostar de poesia.

Como de costume, procurei o brilhante professor Carlinhos Analfabético, autoridade em assuntos que vão da filosofia de botequim aos mistérios do universo.

O professor foi longe. Para os japoneses, o vagalume celebra a beleza do instante. No imaginário ocidental, simboliza esperança, inspiração e luz capaz de varar a escuridão.

Aí me ocorreu uma pergunta: e se nós, seres humanos, possuíssemos a capacidade de gerar a luz dos vagalumes?

Talvez escondêssemos menos o que sentimos. Nossa luz revelaria alegrias, tristezas, medos e esperanças. Uns brilhariam ao amar; outros piscariam de entusiasmo diante de um achado; alguns acenderiam a vida com uma luz serena.

Talvez também aprendêssemos a reconhecer com mais facilidade aqueles que carregam sombras por dentro e precisam de companhia para atravessar a noite.

Quem sabe a verdadeira luz humana já exista. Não no corpo, mas no afeto, na solidariedade e na bondade, que alumiam a vida dos outros sem precisar brilhar.

E aí me pego encandeado: Vagalume, livre estrela, no luzir do teu avoo, risca a escuridão da noite com o piscar da tua luz. Acende a esperança com a chama da paixão. Que a boa sorte na vida não nos deixe esmorecer. Alumia os caminhos com o fogo do destino. Na fogueira dos teus sóis ardam asas do universo. Vagalume, tua sina é guiar a sorte aos nortes. Com teus lampejos e clarões, és farol da natureza.

Por fim, a vida é isso: aprender a acender pequenas luzes enquanto singramos noites. Nenhum de nós ilumina o mundo inteiro, mas cada gesto de afeto, cada palavra de esperança e cada ato de bondade têm o poder de clarear um pedaço do caminho. Como os vagalumes, seguimos piscando sinais uns para os outros, lembrando que, por mais densa que pareça a sombra, sempre haverá um brilho procurando companhia. Talvez seja justamente nesse encontro de pequenos brilhos que a vida encontre seu melhor sentido.

*Totonho Laprovítera

Arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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