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“Vamos perder ou garantir a mais nova janela de oportunidade do Brasil?” – Por Cândido Henrique

Com o título “Vamos perder ou garantir a mais nova janela de oportunidade do Brasil?”, eis artigo de Cândido Henrique de Aguiar Bezerra, geógrafo e consultor em Desenvolvimento Industrial – SENAI/FIEC. “Ao verticalizar essa produção e uni-la ao futuro Hub de Hidrogênio Verde no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e ao robusto polo cearense de data centers, o estado pode multiplicar seu PIB e gerar milhares de empregos qualificados. O Ceará não pode ser apenas um fornecedor global”, expõe o articulista.

Confira:

O mundo vive uma corrida por minerais críticos, essenciais à transição energética e à alta tecnologia. No Brasil, o PL 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e está aguardando tramitação no Senado, traz ao Ceará a chance de transformar sua realidade socioeconômica, desde que o estado pare de apenas exportar minério bruto e busque iniciar uma política pública de industrialização considerando o potencial mineral existente, pois a riqueza está em dominar a cadeia produtiva por completa.

Com potencial geológico na Província Borborema e equipamentos de infraestrutura logística importantes, como a ferrovia transnordestina que conectará várias áreas de forte ocorrência desses minerais estratégicos ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, o Ceará que já atrai mais de R$ 20 bilhões em projetos renováveis e com demanda projetada para iniciar a implantação de parques eólicos offshore, agora, tem a oportunidade de avança para os minerais estratégicos que o mundo todo precisa.

Os investimentos privados já estão chegando como em Quixeramobim, que projeta um aporte de R$ 5 bilhões para explorar e beneficiar lítio, visando até uma futura fábrica de baterias. Outro município cearense inserido nesse cenário é Santa Quitéria, onde um consórcio empresarial prevê R$ 900 milhões na extração de urânio e fosfato, minerais essenciais para energia e agricultura.

Os insumos para a revolução digital também estão no radar.

O estado possui 28 projetos de pesquisa focados em terras raras de acordo com dados da ANM, com destaque para as regiões da chapada da Ibiapaba e Irauçuba. Eles são indispensáveis para ímãs de alta performance, fibra óptica, infraestrutura de inteligência artificial e até para a indústria aeroespacial. Soma-se a isso o potencial de lítio mapeado em Solonópole, necessários para produção de baterias de veículos elétricos e sistemas de BESS e aportes na ordem de R$ 30 milhões na pesquisa de grafita em Itapiúna, abrem espaço para o desenvolvimento de industrias de componentes eletrônicos avançados e
semicondutores.

Ao verticalizar essa produção e uni-la ao futuro Hub de Hidrogênio Verde no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e ao robusto polo cearense de data centers, o estado pode multiplicar seu PIB e gerar milhares de empregos qualificados. O Ceará não pode ser apenas um fornecedor global. Com inovação, tem tudo para fabricar as tecnologias do futuro, convertendo riquezas geológicas em poder socioeconômico definitivo. Vamos garantir esse potencial ou vamos percer mais essa preciosa janela de oportunidade?

*Cândido Henrique de Aguiar Bezerra

Geógrafo, ex-superintendente do IPhan-CE e consultor em Desenvolvimento Industrial – SENAI/FIEC.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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