Com o título “Voltando à (in)tolerância”, eis artigo de Vladimir Spinelli Chagas, vice-presidente da Academia Cearense de Administração (ACAD) e mordomo na Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza. “Tolerância, mesmo que utópica, continua sendo uma ideia que defendo com veemência. E uma reflexão que proponho mais uma vez.” E uma vez mais”, expõe o articulista.
Confira:
Em 2020, estreei, neste Blogdoeliomar, com um simbólico No Reino da Tolerância, por sentir que se agravava, cada vez mais, a falta de diálogo, o desrespeito às opiniões alheias, a falta de reflexão. Então, propunha que eu e você nos tornássemos mais tolerantes para debater fatos e não irmos ampliando as discussões como uma guerra.
Voltei ao tema mais quatro ou cinco vezes, sempre com a perspectiva de que, conseguindo adesão de meia dúzia de pessoas, já teríamos um bom início para que a convivência se tornasse mais amigável, mesmo entre aqueles que defendam ideologicamente campos opostos.
Afinal, em que parte do Livro da Vida temos alguma lei que estabeleça a Verdade Absoluta? Não conheço. Pelo contrário, todo ele sempre se dedica a destacar que o amor ao próximo é uma regra pétrea. Ora, como amar sendo intolerante?
Os momentos de mais tensão se deram nos processos eleitorais que vivenciamos desde então. Agora mesmo, começamos nova refrega, em que menos veremos reais propostas em benefício do povo e mais agressões e violência.
Ora, nós eleitores seremos, mais uma vez, vítimas de nossas ações e omissões, aceitando esse quadro de discussões estéreis em vez de exigirmos, como é de nosso direito, que o debate vá para o campo de ações públicas? Já perdemos demais com um Legislativo que não honra o passado de tantos cidadãos até hoje respeitados por suas posições como verdadeiros representantes do povo, que lhe dá os votos.
O Poder Executivo, em todos os níveis, também não é exemplo de real preocupação com a população, que também os elegeu e tem visto um distanciamento das poucas promessas de campanha que a beneficiaria.
Em relação ao Judiciário, as notícias que são estampadas diuturnamente também ferem de morte o direito do cidadão. Nos níveis superiores, não foram eles eleitos, mas escolhidos por quem o foi, com um compromisso assumido de pugnar pela Justiça, pela Democracia e pela defesa intransigente da Constituição, de que são os guardiões.
“Tolerância, mesmo que utópica, continua sendo uma ideia que defendo com veemência. E uma reflexão que proponho mais uma vez.” E uma vez mais.
*Vladimir Spinelli Chagas
Vice-presidente da Academia Cearense de Administração (ACAD) e mordomo na Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.
vladi.spinelli@gmail.com