Com o título “Voto é convicção e não troca de favores”, eis artigo de Gaudêncio Lucena, ex-vice-prefeito de Fortaleza, administrador de empresas e empresário
Confira:
Nunca teremos uma democracia verdadeiramente consciente enquanto grande parte do eleitorado votar não por convicção, mas, por dependência, necessidade ou troca de favores. Programas sociais são necessários para amparar quem precisa. Agora, jamais podem ser transformados em instrumentos de dependência política ou de perpetuação no poder.
Lamentavelmente, a falta de educação e de formação política torna milhões de brasileiros mais vulneráveis à manipulação eleitoral. O analfabetismo, inclusive o analfabetismo funcional, de quem mal consegue compreender um texto, uma proposta ou as consequências de uma escolha, compromete o exercício plenamente consciente do voto.
Não se trata de negar a dignidade ou a cidadania de ninguém, mas de reconhecer que uma democracia forte exige cidadãos capazes de compreender a enorme responsabilidade que carregam ao escolher seus representantes.
Quando o voto deixa de ser expressão da consciência e passa a ser condicionado pela necessidade ou pela troca de favores, abre-se espaço para oportunistas e corruptos se entranharem na política sem qualquer constrangimento moral.
E o resultado está diante de nós: faltam escolas de qualidade, hospitais, creches, segurança pública, merenda escolar digna, saneamento e boas estradas.
Forma-se um círculo perverso: a má política perpetua a pobreza e a falta de educação, e a falta de educação facilita a perpetuação da má política.
A verdadeira democracia não se constrói apenas com o direito de votar. Constrói-se, sobretudo, com educação, informação, independência e consciência para saber em quem e por que se está votando.
*Gaudencio Lucena
Ex-vice-prefeito de Fortaleza, administrador e empresário.