Com o título “A Canção e a Natureza”, eis a crônica de Gilson Barbosa, jornalista e pesquisador. “A Terra está totalmente desregulada, do ponto de vista climático. São tornados inéditos no sul do Brasil, assim como a seca nos rios do Acre, ventanias em São Paulo e Rio de Janeiro, fortes chuvas no Rio Grande do Sul e queimadas no Centro-Oeste. Nos demais continentes, inundações nos Estados Unidos, terremotos na América do Sul, Ásia e até na europeia Espanha, ondas de calor fortíssimas e incêndios florestais na Europa, entre outras calamidades. De fato, um período climático muito complexo e a canção que escutei tem muito a nos alertar”, expõe o articulista.
Confira:
Existe uma música, chamada “Súplica dos Ecólogos” ou “Canção da Floresta”, título dado (no segundo caso) pelo cearense Raimundo Fagner (1949-) que a registrou em disco, mediante acordo com o autor, o potiguar Sebastião Dias (1950-2023). Outros artistas ligados ao Nordeste também já a gravaram, como os do poeta popular e violeiro cearense Antônio Jocélio e o maranhense Amado Edilson (1972-). A canção tem nos faz um chamamento para que defendamos a natureza, as matas e o meio ambiente. “Súplica dos Ecólogos” nos transporta àquela poesia
nordestina de raiz, que muito se aproxima dos aspectos ecológicos e sociais de nossa região. E, ouvindo-a certa manhã, pela Rádio Universitária FM, da Universidade Federal do Ceará (UFC), reparei em seus versos e na sábia mensagem que nos transmite. Atualmente o planeta inteiro passa por uma série de problemas.
A Terra está totalmente desregulada, do ponto de vista climático. São tornados inéditos no sul do Brasil, assim como a seca nos rios do Acre, ventanias em São Paulo e Rio de Janeiro, fortes chuvas no Rio Grande do Sul e queimadas no Centro-Oeste. Nos demais continentes, inundações nos Estados Unidos, terremotos na América do Sul, Ásia e até na europeia Espanha, ondas de calor fortíssimas e incêndios florestais na Europa, entre outras calamidades. De fato, um período climático muito complexo e a canção que escutei tem muito a nos alertar.
Senão, vejamos estes versos: “Tombam árvores, morrem índios, queimam matas, ninguém vê,/ Que o futuro está pedindo uma sombra e não vai ter./ Pensem em Deus, alerte (sic) o mundo pra floresta não morrer”, seguidos de “Devastação é um monstro que a natureza atropela,/ Essas manchas de queimadas que hoje vemos sobre ela/ São feridas que os homens fizeram no corpo dela”. É a denúncia da realidade difícil que vivem os recursos naturais, vítimas da ganância, irresponsabilidade e insensibilidade dos seres humanos.
Os versos seguem assim: “Quando os cedros vão tombando dão até a impressão/ Que os estalos são gemidos implorando compaixão./ As mãos do homem malvado que os matou sem precisão./ Quando Deus sentir a falta do jequitibá cortado,/ O homem talvez procure botar culpa no machado./ Aí Deus vai lhe perguntar: ‘E por quem foi amolado?’. A letra lembra-nos, assim, que, quando chegarmos ao chamado “ponto de não retorno”, de nada adiantará o arrependimento da humanidade.
E repete, no refrão: “Use as mãos, mude uma planta, regue o chão, faça um pomar./ Ouça a voz dos passarinhos, a floresta quer chorar./ A natureza está pedindo pra ninguém lhe assassinar”, um recado direto e claro para a espécie humana. A canção é apenas uma entre tantas outras com o mesmo aviso, mas tocou-me profundamente ao ouvi-la pela primeira vez. Que aprendamos com os versos do poeta!
*Gilson Barbosa
Jornalista e Pesquisador.