“Amar é reconhecer que ninguém pertence a ninguém, mas que, apesar disso, duas pessoas escolhem, todos os dias, permanecer”, aponta a psicóloga e sexóloga Zenilce Bruno
Confira:
Vivemos em uma cultura que nos ensinou a procurar o amor como quem procura uma metade perdida. Mas o amor maduro não nasce da falta; nasce do encontro entre duas pessoas inteiras, capazes de compartilhar a vida sem abdicar de si mesmas.
A intimidade não é apenas proximidade física. É a rara experiência de ser visto em profundidade e, ainda assim, permanecer acolhido. É poder revelar vulnerabilidades sem medo, expressar desejos sem vergonha e atravessar os inevitáveis desencontros sem transformar diferenças em ameaças.
Como psicóloga e sexóloga, aprendi que o amor não se sustenta apenas pela paixão. Sustenta-se pela curiosidade em continuar conhecendo o outro, pela delicadeza com que se cuida das feridas, pela coragem de conversar sobre o que dói e pela disposição de preservar o desejo em meio às rotinas da vida.
Amar não é possuir. Não é controlar. Não é fundir-se ao ponto de desaparecer.
Amar é reconhecer que ninguém pertence a ninguém, mas que, apesar disso, duas pessoas escolhem, todos os dias, permanecer.
E talvez seja essa a maior expressão do amor: não a promessa de nunca mudar, mas a decisão de continuar se reencontrando nas muitas versões que o tempo nos faz ser.
Neste Dia dos Namorados, que celebremos menos as idealizações e mais os vínculos que oferecem presença, liberdade, erotismo, amizade e cuidado.
Porque o amor que realmente transforma não é aquele que nos completa.
É aquele que nos expande.
Zenilce Bruno
Psicóloga e Sexóloga