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“O Essencial é Invisível aos Olhos: Lições de Gestão entre Estrelas, Ruínas e Pedras Preciosas” – Por Renata Colao e Célio Fernando

Renata Colao, gestora de projetos.

Com o título “O Essencial é Invisível aos Olhos: Lições de Gestão entre Estrelas, Ruínas e Pedras Preciosas”, eis artigo de Renata Colao, gestora de projetos e Célio Fernando B. Melo, economista.

Confira:

Gerir não é contar estrelas, catalogar mapas ou lapidar pedras sem alma: é enxergar, no invisível de cada rosa, ruína e mineral, a essência humana que sustenta toda construção duradoura.

Há um tipo de gestor que se parece com o homem de negócios do quarto planeta visitado pelo Pequeno Príncipe, aquele que contava estrelas sem parar, convencido de que as possuir era o mesmo que lhes dar sentido. Ele repetia estar ocupado demais com coisas sérias, sem tempo para perguntas, nem para flores, nem para raposas. Estava ocupado demais gerenciando.

É precisamente aqui que começa nosso problema. A gestão contemporânea vive uma crise silenciosa, que confunde controle com cuidado, posse com propósito, eficiência com essência. Para atravessar essa crise, propomos um itinerário que passa pelo deserto de Saint-Exupéry, pelas ruínas gregas descobertas com olhos de encantamento, e pelo brilho lapidado das pedras preciosas. Como sussurrou a raposa ao Pequeno Príncipe, em outro momento de sua jornada, o essencial é invisível aos olhos. E o essencial da gestão também.

No Asteroide B-612, o Pequeno Príncipe tinha uma rosa vaidosa e frágil, que protegia sob uma redoma de vidro até que o cansaço o fez partir. A rosa sob a redoma é a metáfora mais precisa sobre gestão de talentos. Toda organização possui suas rosas, profissionais singulares e criativos, que exigem atenção que manuais de RH não codificam. O gestor inexperiente ou abandona a rosa ao relento, ou a sufoca sob controle e microgerenciamento. Cuidar não é aprisionar. O valor de um colaborador está no vínculo de responsabilidade mútua construído,
pois somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, como ensina a raposa em sua sabedoria final.

Há também o geógrafo do sexto planeta, homem cercado de livros, que registrava mares e montanhas, mas não conhecia seu próprio território, dependendo de exploradores para saber o que existia lá fora. Descartava a flor por ser efêmera, sem compreender que a efemeridade é o que a torna preciosa. Este é o retrato do gestor de gabinete, competente em catalogar, mas distante da experiência vivida.

A estratégia que não se alimenta do campo é ficção cartográfica. Pilar, menina que visita ruínas gregas, pergunta por quê diante das colunas partidas, vendo possibilidade onde adultos veem decadência. Os gregos que ergueram aqueles templos declaravam que a ordem podia emergir do caos, que a beleza era estrutura. A aretê, excelência como busca constante, a phronesis, sabedoria prática, e a paideia, formação integral, deveriam estar na mesa de todo conselho administrativo. Sócrates, com sua maiêutica, era gestor de perguntas, ajudando interlocutores a parir suas próprias conclusões, prática que educadores repetem ao perguntar às crianças por que o gelo derrete.

Por fim, a pedra bruta de esmeralda ensina sobre a cadeia de valor organizacional. A mineração representa a prospecção de talentos escondidos sob camadas de preconceito. A lapidação é o processo formativo, que respeita as inclusões naturais da pedra, suas imperfeições, garantia de autenticidade. Em gestão de pessoas, as excentricidades de um profissional são frequentemente o que o torna insubstituível.

Entre estrelas contadas, ruínas questionadas e pedras lapidadas, a lição converge: gerir é cuidar do invisível que sustenta o visível.

*Renata Colao, gestora de projetos e Célio Fernando B. Melo, economista.

*Referências Bibliográficas

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Antônio de Castro Caeiro. São Paulo: Atlas, 2009.
JAEGER, Werner. Paideia: A Formação do Homem Grego. Tradução de Artur M. Parreira. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
PLATÃO. Diálogos: Teeteto. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2001.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro: Agir, 2015.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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