“A crise da direita brasileira, marcada pelo bolsonarismo, pelo fracasso neoliberal e pela falta de horizonte político”, aponta o sociólogo e cientista político Emir Sader
Confira:
E eu sei lá! Que pergunta é essa?
É uma direita derrotada. Decidiu, firmemente, ser bolsonarista. Azar dela. Se lascou.
Mas ela tem futuro? Qual será seu futuro?
Difícil saber. Se olhamos para Bolsonaro, vemos um cara derrotado, entre soluços e mexida em arma. O neoliberalismo, ao qual a direita, em escala mundial, aderiu, está derrotado. Não há nenhum país, na América ou em outro continente, em que algum governo neoliberal ande bem.
A Argentina, por aqui mesmo, é o melhor exemplo do fracasso do neoliberalismo. Javier Milei, de tão adepto do Estado mínimo — e do mercado máximo —, chegou a dizer que, entre o Estado e a máfia, prefere a máfia! E os resultados do seu governo são desastrosos para um país que já exibiu ótimos resultados sociais de governos kirchneristas.
O futuro da direita está na sua capacidade de mudar de assunto. Em termos econômicos e sociais, está lascada, derrotada.
A nova direita trata de fazer isso: deslocar desses temas para a questão da segurança pública e da violência — que promete combater com mais violência. Vai por um caminho de aumento da brutalidade, como se pudesse exibir algum país em que essa via tivesse sucesso.
Ciro Gomes, com seu frenético antipetismo, chegou a elogiar os “seus bolsonaristas”, que seriam honestos. Triste fim do antipetismo, que faz da luta contra quem representa o Brasil que vai bem sua bandeira.
Nada a esperar de uma direita bolsonarista. Longe ficou a direita tucana, do Mario Covas, do FHC, do Franco Montoro, civilizados, não violentos. De FHC a Bolsonaro, a direita brasileira teve um caminho de adesão a formas violentas de ação, que só puderam chegar à Presidência do Brasil pelo golpe contra Dilma e Lula, que levou este à prisão.
Da adesão ao neoliberalismo, seguindo suas referências europeias — François Mitterrand e Felipe González —, à adesão a Donald Trump. Um triste caminho, que hoje não apresenta nenhuma perspectiva de futuro à direita brasileira.
Dá a impressão de que se resignam — junto com a Faria Lima — à reeleição de Lula. Tratam de manter força no Congresso, para buscar seguir colocando obstáculos a um novo governo petista, incluindo a possibilidade de vetos de indicações ao STF.
O século XXI é um século do progressismo no Brasil, dos governos do PT, perspectiva que deve se estender pelo menos por toda a primeira metade do século XXI.
Emir Sader
Sociólogo, cientista político e colunista do Brasil 247