“O voto é uma liberdade de escolha, mas, às vezes, a escolha cobra a liberdade” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“Sem apresentar vantagens de seu território, o segundo semideus seguiu na construção de uma situação de medo”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Dois semideuses ouviram falar do canto mágico de um pássaro, que há muito havia sido considerado extinto. Seu canto era capaz de curar ferimentos de batalha, irradiar luz e gerar poder.

No entanto, o habitat daquela única espécie no universo logo seria devastado pela fúria de um vulcão.

Os semideuses, então, buscaram abrigar o pássaro em seus territórios.

Como forma de evitar uma batalha milenar entre suas forças, os semideuses concordaram na livre escolha do pássaro. E passaram a enumerar as vantagens de seus domínios.

O primeiro falou na dimensão de área verde e nos três grandes rios que poderiam ser sobrevoados com respingos de água no corpo. Contou sobre as outras espécies de aves e da fartura de frutas nas árvores. Disse ainda que o pássaro poderia encontrar uma espécie de proximidade genética, o que certamente iria gerar uma família.

Ao perceber o brilho nos olhos do pássaro, o primeiro semideus se deu por satisfeito. Mas logo foram ouvidas gargalhadas do segundo semideus.

– Muita área verde, rios, fartura, outras espécies?!… seguiu o segundo semideus em gargalhada. – Não falaste também dos perigos do teu território, de cobras devoradoras de pássaros e dos gaviões que também assim se alimentam?

Sem apresentar vantagens de seu território, o segundo semideus seguiu na construção de uma situação de medo.

– Voar rente as águas dos rios?! Escondes a verdade, quando omites as estatísticas de morte de pássaros pelos peixes à espreita!

Diante do pavor no olhar do pássaro, o segundo semideus arrematou:

– Posso lhe garantir moradia, segurança, alimentação e medicamentos todos os dias.

E foi assim que nunca mais se ouviu novamente o canto mágico de uma espécie única. E foi assim que o raro pássaro passou os seus dias em uma gaiola como moradia, com a segurança de suas barras, com alimentação por ração e medicamentos vitamínicos em sua água na tigela…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

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