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“Promessa eleitoral também tem seu preço?” – Por Leopoldo Martins

Leopoldo Martins é advogado. Foto: Divulgação

“A promessa impossível é sedutora porque não apresenta obstáculos”, aponta o advogado Leopoldo Martins

Confira:

E se, depois da eleição, alguém apresentasse ao candidato a conta de tudo o que ele prometeu? Quantas promessas sobreviveriam ao primeiro encontro com o orçamento público, a lei e a realidade administrativa? Essa é uma pergunta essencial antes do voto.

Prometer faz parte da política. O problema começa quando a promessa deixa de ser proposta e vira instrumento para conquistar voto. Hospital, escola, estrada, emprego e obras cabem facilmente no palanque. O difícil é explicar quanto custará, de onde virá o dinheiro, qual será o prazo e se poderá ser feito.

A promessa impossível é sedutora porque não apresenta obstáculos. No palanque, tudo parece simples. Na administração, existem orçamento, licitação, limites fiscais e competências. O eleitor precisa distinguir projeto de fantasia eleitoral.

Há também a promessa individual: “Vote em mim que eu resolvo seu problema”. Nesse momento, o cidadão deixa de ser tratado como titular de um direito e passa a ser visto como alguém que precisa de um favor. É uma espécie de novo “pistolão”: antes, buscava-se o padrinho; agora, oferece-se a promessa para conquistar o voto.

Isso enfraquece a democracia. Saúde, educação e serviços públicos não são presentes. São deveres do Estado. Quando um direito é apresentado como favor pessoal, cria-se uma dívida política que não deveria existir.

O eleitor precisa agir mais. Antes de acreditar, deve perguntar: a promessa é de competência daquele cargo? Há previsão orçamentária? Qual é a fonte dos recursos? Existe prazo? E o que aconteceu com aquilo que foi prometido na eleição anterior?

A campanha não deveria terminar no dia da votação. Depois da posse começa outra etapa da democracia: a cobrança. Promessas precisam ser confrontadas com resultados. O eleitor deve guardar o que foi prometido.

No fim, a pergunta é simples: o candidato está apresentando uma política pública ou apenas descobrindo qual promessa o eleitor quer ouvir?

O voto é livre, mas não precisa ser ingênuo. Em uma democracia madura, promessa não é favor, favor não é direito e direito não pode virar moeda de troca eleitoral.

Leopoldo Martins
Advogado, Membro Consultivo da Comissão Eleitoral do CFOAB e Membro Titular da Comissão Eleitoral da OAB/CE

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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