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“Verdades inconvenientes” – Por Djalma Pinto

Djalma Pinto é advogado e especialista em Direito Eleitoral. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Verdades inconvenientes”, eis artigo de Djalma Pinto, advogado, ex-procurador geral do Estado do Ceará, mestre em Ciência Política e escritor. “Infelizmente, não priorizamos a educação para a cidadania, prevista no art. 205 da Constituição. Por meio dela, poderíamos dispor de uma classe dirigente à altura de uma nação minimamente civilizada, em que os agentes públicos e políticos sentissem vergonha de oferecer péssimos exemplos para as novas e futuras gerações”, expõe o articulista.

Confira:

A persistente polarização, que envolve a sociedade brasileira contemporânea, tem provocado perplexidade em integrantes de cada grupo ideológico sobre posicionamento de parentes ou amigos reconhecidamente lúcidos. O espanto é proporcional à respeitabilidade do divergente perante aquele que se diz surpreendido com o seu posicionamento politico.

O psiquiatra sueco, Anders Hansen, no livro “ Felicidade não é cura”, traz uma interessante elucidação sobre esse tema: “Pesquisas nas áreas de psicologia e neurociência revelaram que o cérebro altera nossa memória, fazendo vista grossa às verdades inconvenientes para nos ajudar a pertencer a um grupo”.

Infelizmente, não priorizamos a educação para a cidadania, prevista no art. 205 da Constituição. Por meio dela, poderíamos dispor de uma classe dirigente à altura de uma nação minimamente civilizada, em que os agentes públicos e políticos sentissem vergonha de oferecer péssimos exemplos para as novas e futuras gerações.

Pagamos um preço amargo por essa negligência, notadamente por deixar de estimular o cultivo destes princípios inseridos com grande destaque no texto constitucional: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência os quais, devidamente sedimentados na mente de todas as pessoas com acesso ao poder, mudariam o perfil da sociedade. Ajudariam a sepultar a impunidade, propiciando um ambiente propício à prosperidade de todos, com prevalência da igualdade, da solidariedade, da meritocracia e punição exemplar aos infratores para desestimular os desvios na gestão estatal.

A elegibilidade de figuras denunciadas, em processos que têm na prescrição o seu previsível destino, tem como consequência o agravamento da pobreza, visualizada no crescimento de pedintes nas esquinas.

Adam Smith, no livro Teoria dos Sentimentos Morais, publicado em 1759, já advetira: “Em muitos governos, os candidatos aos mais altos cargos estão acima da lei; e, se podem conquistar o objeto de sua ambição, não receiam prestar contas dos meios pelos quais os adquiriram. Portanto, frequentemente se esforçam, não apenas valendo-se de fraude e falsidade, mas às vezes perpetrando os piores crimes para superar e destruir os que impedem ou fecham o caminho para a sua grandeza. A honra de sua elevada posição aparece, todavia, corrompida e maculada pela baixeza dos meios pelos quais ascendeu até ela”.

A “vista grossa às verdades inconvenientes” a que submetidas as pessoas dos diversos segmentos sociais somente deixará de impactá-las quando as escolas, desde o ensino fundamental, compreenderem que a Ética para o exercício do poder político e econômico é essencial e deve ser propagada já no momento inicial da transmissão do saber. Somente assim será possível sonhar com uma governança voltada, exclusivamente, para a satisfação do bem comum.

*Djalma Pinto

Advogado, ex-procurador geral do Estado do Ceará, mestre em Ciência Política e escritor.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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