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“A República em crise: Lula e Moraes, as Faces Podres da Mesma Moeda” – Por João Arruda

João Arruda é sociólogo e professor aposentado da UFC. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “A República em crise: Lula e Moraes, as Faces Podres da Mesma Moeda”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “O STF, diante das legítimas e fundadas suspeitas de parte dos brasileiros quanto à existência de uma possível relação de conivência e corporativismo dentro da Corte, encontra-se mergulhado em uma crise de credibilidade sem precedentes”, expõe o articulista.

Confira:

O Brasil se aproxima das eleições de 4 de outubro mergulhado em um abismo de tensões econômicas, sociais, políticas e institucionais que está levando a República a vivenciar o mais grave momento da sua história. Em todos os níveis da vida nacional, o governo Lula, por notória incompetência, irresponsabilidade fiscal e pela ausência de um verdadeiro projeto de nação, construiu, ao longo dos últimos três anos e meio, um cenário devastador, marcado pela deterioração das contas públicas, pelo agravamento da insegurança, pela corrupção, pela degradação do ambiente político e pela crescente corrosão da confiança nas instituições. O ex-presidiário, que se encaminha para o encerramento de seu terceiro e último mandato, deixa como legado um país profundamente dividido, violento, endividado e institucionalmente convulsionado, uma herança que será lembrada como um dos capítulos mais sombrios da história da República.

A corrupção, o aparelhamento do Estado, a cooptação de outros poderes, a promiscuidade entre interesses públicos e privados e a deterioração das contas públicas tornaram-se, no imaginário coletivo, marcas indeléveis do lulopetismo. Ao longo desta gestão, sucessivos escândalos de corrupção passaram a envolver não apenas integrantes do governo, mas também pessoas de seu círculo político e familiar, ampliando a sensação de que práticas antes consideradas exceções passaram a fazer parte do modus operandi do Lula governar. A crescente relação promíscua entre setores do Executivo, do Legislativo e do Judiciário alimentou, em parcela expressiva da sociedade, a percepção de que as instituições perderam a necessária independência e passaram a operar sob uma lógica de interesses cruzados. O resultado é o aprofundamento da descrença nas instituições e a transformação de cada novo escândalo em mais um capítulo de uma crise que, há muito, ultrapassou os limites da normalidade democrática.

E foi justamente nesta semana que se encerra, logo após o ministro Fachin determinar a retirada do sigilo das investigações, que o país mergulhou em uma nova e gravíssima turbulência institucional. Essa retirada escancarou o envolvimento de figurões da República, como os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF; Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF; Paulo Gonet, procurador-geral da República; figurões do PT e do Centrão; e os presidentes da Câmara e do Senado, em uma intrincada engenharia de falcatruas e subornos promovidos por Vorcaro. Como é perceptível, o terremoto político provocado por essas revelações está atingindo em cheio as estruturas que estiveram por trás da descondenação e da eleição de Lula e que, desde então, continuam dando sustentação ao projeto de poder lulopetista.

Antes mesmo desta terça-feira, dia 15, data marcada para o início do julgamento de Xandão, a coordenação da campanha petista já sente os efeitos devastadores dessas revelações sobre as intenções de voto dos brasileiros. E ela sabe que, no imaginário político brasileiro, parcela significativa da sociedade passou a enxergar Lula e Xandão como irmãos siameses, faces podres de uma mesma moeda. O STF, diante das legítimas e fundadas suspeitas de parte dos brasileiros quanto à existência de uma possível relação de conivência e corporativismo dentro da Corte, encontra-se mergulhado em uma crise de credibilidade sem precedentes. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por uma profunda reconstrução institucional, capaz de restabelecer os limites, a independência e o indispensável equilíbrio entre os Poderes da República.

O que está em jogo, portanto, não é apenas o destino eleitoral de um governo decadente ou de um partido historicamente corrupto, mas a própria credibilidade das instituições diante de uma sociedade que assiste, perplexa, à sucessão de escândalos e à aparente incapacidade do sistema de

oferecer respostas convincentes. É preciso, portanto, voltar às origens da crise. É preciso reconstruir a sequência dos acontecimentos, identificar os personagens, compreender as conexões e acompanhar o percurso dos escândalos que, sucessivamente, foram corroendo a confiança da população no governo e nas instituições.

E esses escândalos de corrupção não se tratam de episódios isolados. Tratam-se de um processo que se identifica com a própria essência do Partido dos “Trabalhadores”. E somente a reconstrução desse processo permitirá compreender como o Brasil, governado por corruptos contumazes, chegou a este estado de tensão, descrédito e ruptura institucional. No dia 04 de outubro os brasileiros têm o dever de sepultar o lulopetismo no lixo da história.

A crise que hoje contamina o conjunto das instituições brasileiras começou a ganhar contornos nacionais quando o Metrópoles, em março de 2024, revelou uma verdadeira engrenagem de maracutaias destinada a subtrair, de forma fraudulenta, parte dos benefícios de indefesos aposentados e pensionistas do INSS. As reportagens e os pronunciamentos no Congresso expuseram o crescimento vertiginoso de entidades associativas que realizavam descontos nos benefícios sem a devida autorização dos segurados. Apesar da gravidade das denúncias, o governo, como era de se esperar, levou mais de um ano para reagir. Somente em 23 de abril de 2025, depois de uma sucessão de denúncias e diante da crescente pressão da opinião pública, a PF e a CGU deflagraram a Operação Sem Desconto, destinada a investigar uma gigantesca fraude que movimentou cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. E, no rastro desse escândalo, surgiriam nomes que ampliariam ainda mais a dimensão política do caso: o de Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindinapi, e o de Lulinha, apontado como um dos grandes beneficiados pelo esquema.

À medida que a CPMI avançava e o nome de Lulinha ganhava cada vez mais espaço nas investigações, a tensão política aumentava. O desfecho ocorreu na madrugada de 28 de março de 2026, quando o relatório final do deputado Alfredo Gaspar foi vergonhosamente rejeitado pelos governistas. Com mais de 4 mil páginas, o parecer propunha o indiciamento de 216 pessoas. Entre elas estavam Lulinha, Frei Chico, o Careca do INSS, Daniel Vorcaro, Carlos Lupi, Alessandro Stefanutto, José Carlos Oliveira, Weverton Rocha e a cearense Gorete Pereira, entre outros.

Mas, pouco a pouco, as investigações alcançaram o próprio epicentro do poder, envolvendo o chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”. Ele foi exonerado após o avanço das investigações da Polícia Federal apontar que teria recebido R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger, apontada nas investigações como amiga e sócia de Lulinha e ligada ao esquema de corrupção do INSS. As suspeitas também alcançaram Swedenberger do Nascimento Barbosa, o “Berger”, então adjunto do Gabinete da Presidência, figura com histórico de atuação como lobista e passagem pelo Ministério da Saúde. O que inicialmente parecia ser mais um escândalo envolvendo a máquina pública começava, assim, a atingir diretamente o círculo mais próximo do presidente da República.

Paralelamente a essas ocorrências, a figura do todo-poderoso ministro Alexandre de Moraes passou a ocupar o centro das atenções nas investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Vieram à tona dois contratos milionários, de R$ 131 milhões e R$ 50 milhões, envolvendo o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, além de cartões de crédito destinados aos dois filhos do ministro, com limites de R$ 300 mil cada. Mas o que mais chamou a atenção foram as 52 ligações telefônicas entre Moraes e Vorcaro, elemento que passou a alimentar graves suspeitas sobre a natureza da relação entre ambos e sobre eventual atuação do ministro em favor dos interesses do banqueiro. Em meio à crescente repercussão do caso, e por solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, o ministro André Mendonça levantou o sigilo de documentos relacionados ao caso Master. A decisão provocou forte impacto político e institucional e aumentou a pressão sobre Moraes. Fachin marcou para terça-feira, 15, às 10 horas, o julgamento das acusações que envolvem o ministro.

O julgamento deverá produzir consequências que ultrapassam os limites do próprio STF. Na campanha de Lula, já se percebe a preocupação com os efeitos políticos de qualquer que seja o desfecho. Isso porque, no imaginário de parcela significativa da sociedade, Lula e Alexandre de Moraes passaram a ser identificados como integrantes de um mesmo projeto de poder, como faces distintas de uma mesma estrutura política e institucional. Assim, uma eventual condenação de Moraes atingirá a imagem do governo, mas uma absolvição também poderá ser interpretada como demonstração de proteção corporativa. Em qualquer dos cenários, o episódio tem potencial para produzir novos desgastes para Lula justamente no momento em que o país se aproxima das eleições de 4 de outubro. E esse é o verdadeiro motivo do atual desespero dos lulopetistas.

*João Arruda

Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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